GRUPO INVESTE US$ 1 MI PARA PRODUZIR
BIODIESEL
Por Lúcia Monteiro
( Jornal "O Popular" 19 de Maio/ Economia)
Empresa mineira Excell anuncia instalação em Anápolis
da maior indústria de óleo de mamona do País, com
geração de 800 empregos diretos e 10 mil indiretos
O grupo mineiro Excell, com tradição
na fabricação de motores, vai investir US$ 1 milhão
na instalação de uma indústria que produzirá
óleo de mamona refinado e biodiesel a partir do próximo
ano em Goiás. A indústria será construída
no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) e vai gerar 800
empregos diretos. A Excell Goiás Agroindústria é
um dos grupos econômicos interessados na produção
de biodiesel no Estado e que aguardam a definição da política
industrial para o setor. Ontem, o secretário de Infra-Estrutura
do Estado, Leonardo Vilela, encaminhou ao governador Marconi Perillo
a minuta de lei para criação da política de incentivo
à produção e o projeto do Fundo de Incentivo ao
Biodiesel.
A Excell já está há um ano no
Estado, onde cultiva 560 hectares de sementes de mamona em propriedades
arrendadas. Este ano, a empresa começa a cultivar 8 mil hectares
de mamona, que começará a ser colhida em maio de 2006.
A meta é cultivar 100 mil hectares em Goiás nos próximos
quatro anos.
O diretor-técnico da Excell, Ody Silva, informa
que a indústria produzirá 8 milhões de litros de
óleo de mamona no primeiro ano. O projeto é destinar 50%
à produção de biodiesel, mas o porcentual ainda
será definido pelo mercado.
Segundo Ody Silva, a empresa terá uma área
construída de 1,5 mil metros quadrados, num terreno cedido pelo
governo estadual. A indústria começará a ser instalada
nos próximos meses e deve operar a partir de meados de 2006,
assim que houver matéria-prima suficiente. “Será
a maior indústria do País de esmagamento e refino da mamona
para obtenção de óleo”, afirma Ody Silva.
Além dos 800 empregos diretos, a estimativa é que sejam
gerados outros 10 mil indiretos no cultivo das lavouras de mamona, que
devem produzir mil litros de óleo por hectare.
Experimentos
As culturas que podem ser utilizadas para produção do
biocombustível foram o tema do Seminário sobre Matérias-Primas
Agrícolas para a Produção de Biodiesel, promovido
ontem pelo Comitê Estadual de Biodiesel, na Secretaria de Agricultura
de Goiás. Este ano, Goiás iniciou plantios experimentais
de mamona, amendoim e girassol para recomendação de cultivo
das matérias-primas.
Os experimentos são conduzidos pela Agenciarural
na Estação Experimental de Senador Canedo e nos municípios
de Montividiu, Anápolis e Porangatu. Também há
pesquisas sobre o uso da soja e algodão. Outras cultivares que
podem ser usadas na produção de biodiesel serão
alvo de futuras pesquisas.
Outra meta é aperfeiçoar a tecnologia
de produção industrial. Leonardo Vilela lembra que o mercado
de biodiesel no mundo é estimado em 30 bilhões de litros
anuais, dos quais 1 bilhão no Brasil. “A tendência
é de elevação constante no preço do petróleo.
Podemos ser os maiores produtores e exportadores de biodiesel do País.”
Incentivo
A política industrial do biodisel contempla incentivos fiscais,
redução de carga tributária e liberação
de crédito para as empresas interessada na produção,
a fim de tornar o produto competitivo. Também estão previstos
incentivos extras para indústrias que trabalharem no sistema
cooperado com os produtores, que se instalarem em regiões mais
carentes do Estado ou adquirirem produto da agricultura familiar. Parte
deles vão para o Fundo de Incentivo ao Biodiesel, gerido por
membros do governo e setor privado, destinado a investimentos em pesquisa
e marketig.
O secretário de Agricultura do Estado, Roberto
Balestra, lembra que o desafio atual é desenvolver variedades
mais adaptadas para este fim e economicamente viáveis, o que
será revelado pelas pesquisas. Elas também devem comprovar
o potencial de outros produtos que podem ser usados como matérias-primas,
como o pequi, macaúba e buriti.
Lei de incentivos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei
que estabelece benefícios tributários para a produção
de biodiesel. A lei prevê a isenção de PIS e Cofins
para a produção da agricultura familiar voltada para o
biodiesel nas regiões Norte e Nordeste, bem como a redução
de 68% para os produtores de oleaginosas na agricultura familiar do
restante do País. A lei também prevê o abatimento
de 31% no caso do agronegócio.
Segundo a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff,
os termos da lei contribuirão para estreitar as diferenças
regionais e incentivar a diversificação e substituição
do petróleo. Dilma evitou falar em redução dos
preços dos combustíveis com o uso do biodiesel.